Jesus morreu na quarta ou na sexta-feira?

Jesus morreu na quarta ou na sexta-feira?

 

– Quarta ou Sexta-feira?
Páscoa é um termo hebraico “que significa passagem (o anjo da morte ‘passou’ sobre as casas os israelitas”).

“Os judeus computavam o tempo pelo sistema inclusivo. O dia inicial era o ‘primeiro’ dia, mesmo que dele só restassem algumas horas; o dia imediato era o ‘segundo’; e as primeiras horas do dia que vinha em seguida já eram consideradas ‘terceiro dia.’”
Gráfico dos dias
Há um grupo religioso que defende com muita determinação a idéia de que Jesus morreu na quarta-feira e ressuscitou no Sábado. Para tal, apóia-se num único verso existente na Escritura.
Ei-lo:“Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra.” Mateus 12: 40
Os membros desta igreja entendem que Jesus teria que passar, morto, setenta e duas horas, em um segundo a menos ou a mais, o que é tarefa difícil de provar.
Interessante que, se por um lado há apenas um único texto que informa “três dias e três noites”, por outro existem sete que, tratando do mesmo acontecimento (morte do Senhor), cristalinamente consignam três dias. Ei-los:
  1. Mateus 26:61 – “…derribar o templo de Deus e reedificá-lo em três dias”.
  2. Mateus 27:40 – “…e em três dias o reedificas…”
  3. Mateus 27:63 – “…depois de três dias ressuscitarei.”
  4. Marcos 8:31 – “…mas que depois de três dias ressuscitaria.”
  5. Marcos 14:58 – “… e em três dias edificarei.”
  6. Marcos 15:29 – “…derribas o templo, e em três dias o reedifica.”
  7. João 2:19 – “…derribarei este templo, e em três dias O levantarei.”

Observe que são sete contra um, e o mesmo Mateus relata outras três vezes apenas três dias. Ora, se uma vez informa “três dias e três noites” e se três vezes menciona “três dias”, é evidente que mais peso deverá ter a referência repetida pelo mesmo evangelista, não acha?

Isso indica que a expressão “três dias e três noites” foi uma expressão casual, não absoluta. Já ensou porque os demais evangelistas não repetiram a mesma expressão? Mormente sendo sinóticos? As dez passagens seguintes mencionam que Jesus iria ressuscitar no terceiro dia, contado de Sua morte, sem se importar com os minutos ou segundos: Luc. 9:22; Mat. 17:23; Luc. 18:33; Mat. 20:19; Mar. 9:31; Luc. 13:32; Mar. 10:34; Luc. 24:7 e 46; Mat. 16:21). Conferiu?

IMPORTANTE – A morte de Jesus na sexta-feira não foi acidental nem casual, mas profética, por estas duas razões fundamentais e bíblicas:

  1. Todas as profecias do Antigo Testamento que apontavam para Jesus e Sua obra de redenção precisavam ter cumprimento literal, para que ficasse caracterizado ser Ele o Messias. Uma delas evidencia Sua ressurreição no primeiro dia da semana. Era a festa das primícias. O sacerdote, neste ritual, movia o molho perante Deus “ao seguinte dia do Sábado” (Lev. 23:10 e 11).
    Assim, Cristo teria que ressuscitar neste dia, para cumprir mais esta profecia e se fazer “as primícias dos que dormem” (I Cor. 15:20 e 23).
  2. Jesus Cristo precisava passar o Sábado da redenção descansando de Sua obra redentora, como fizera no Sábado da criação, para confirmá-lo eternamente como o dia de repouso para todos os cristãos. Daí por que Jesus não poderia morrer nem segunda, terça, quarta, quinta ou domingo.

Provas escríturísticas da morte de Jesus na sexta-feira, segundo o evangelista Marcos (Marcos 15:1-4)

Estes versos narram os últimos acontecimentos na vida de Jesus.

Foi Ele crucificado à hora terceira (9:00h – v. 25) e morreu à hora nona (15:00h – v. 34).Verso 42 –“E, chegada a tarde, … o dia da preparação, isto é, véspera do Sábado.”

Nota-se claramente por esta escritura que Jesus morreu na sexta-feira, e Lucas, o médico gentio, define cristalinamente, identificando a sexta-feira (dia da preparação) como o dia que antecede o sábado semanal. Diz ele:Lucas 23: 54 – “E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado.”

Trocando em miúdos: Sexta-feira é dia da preparação, véspera do Sábado. A própria palavra “preparação” quer dizer sexta-feira (paraskeuê).Pois bem, nesta sexta-feira fatídica, José de Arimatéia, um dos ricos príncipes de Israel, foi pedir o corpo de Jesus a Pilatos, para o sepultar. Mar. 15:43.

CONSIDERE:
  • Não é estranho que, se Jesus tivesse realmente morrido na quarta-feira, José só teria ido pedir o corpo do Mestre dois dias depois?
  • Não estaria este corpo decomposto, haja vista suas carnes repuxadas penderem sob o pesado corpo na cruz?
  • Não teria sido uma desumanidade deixar o corpo do Senhor exposto à intempérie e desalento durante 48 horas?
  • Qual a finalidade de deixar Jesus dois dias dependurado no madeiro?

Atente agora para a reação de Pilatos à solicitação do corpo do Senhor:

Verso 44 – “E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto…”

Por que Pilatos se surpreendeu de que Jesus já tivesse morrido naquela sexta-feira?

– Lógico, sua admiração devia-se ao fato de que há algumas horas apenas Jesus fora crucificado, e os supliciados duravam na cruz às vezes de 2 a 7 dias – vivos – mas Jesus, coitado, embora forte, depois de ter passado pela agonia do Getsêmani, padecido açoites, morreu de dilaceramento do coração, por causa dos pecados do mundo.

Por isso Jesus não durou muito tempo vivo (apenas de 9 às 15:00 h), razão porque motivou a admiração do governador Pilatos jamais se teria “maravilhado” da morte de Jesus, caso ela houvesse ocorrido na quarta-feira e José só tivesse pedido Seu corpo na sexta-feira; teriam transcorridos dois dias, o que era perfeitamente normal.

Pilatos, entretanto, para ter absoluta certeza de que Jesus morrera, certificou-se com o seu chefe da guarda, e depois liberou o corpo (v. 45). Não há por conseguinte nenhuma razão plausível, para se negar tenha o Senhor morrido na sexta-feira.

A tangente por onde saem os que não aceitam esta verdade cristalina é afirmar que este dia da preparação mencionado pelos evangelistas não antecedeu ao Sábado do sétimo dia da semana, mas ao sábado cerimonial que foi a “páscoa que se deu na quinta-feira”, da última semana de vida do Senhor, antes de Sua morte (Veja-se Doutrinal, págs. 151 e 152 – Igreja Adventista da Promessa).

Será que foi assim? – Não! A Bíblia esclarece.

Marcos 16:1 – “E, passado o Sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e Salomé, compraram aromas para irem ungí-Lo.”Se Jesus tivesse morrido na quarta-feira, haveria tremenda contradição na sequência evangelística, pois diz o verso 2: Marcos 16: 2 – “E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do Sol.” Outra vez está claramente identificado que se trata do Sábado do sétimo dia da semana, o dia que vem depois da sexta-feira, pois afirma Marcos: “…passado o Sábado (v. 1), surgiu o primeiro dia da semana (v. 2).”

Aplicada esta escritura à crença de que a páscoa se deu na quinta-feira, chegaremos ao seguinte panorama:

Dia da morte do Senhor.

  • QUARTA-FEIRA – Dia da preparação (?!)
  • QUINTA-FEIRA – Dia da páscoa (sábado cerimonial?!)
  • SEXTA-FEIRA – ?!? (Este dia terá que ser transformado no primeiro dia da semana, pois dizem os evangelistas que aquela tarde do dia da morte de Jesus era o dia da preparação – véspera do Sábado (Mar. 15:42; Luc. 23:54; Mat. 27:57; João 19:42). E, passado o Sábado – surgiu – o primeiro dia da semana – domingo (Mar. 16:1 e 2; Luc. 24:1; Mat. 28:1; João 20:1).

EVIDENTE: No dizer dos irmãos da Igreja Adventista da Promessa, se a quinta-feira foi a páscoa (sábado cerimonial), a quarta teria que ser a preparação, e a sexta-feira… (??!!)

Isto prova que Jesus não morreu na quarta-feira.
Finalizando esta maratona no evangelho de Marcos, ele finaliza com esta jóia de verdade:

“E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da sema-na, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios.” Marcos 16:9

Este texto demasiadamente claro na definição do dia da ressurreição do Senhor, foi alterado pelos irmãos promessistas que colocam a vírgula depois da palavra ressuscitado.
(“E Jesus tendo ressuscitado, na manhã do primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria Madalena…”).

Desfigura-se assim a Escritura para sustentar uma doutrina que não tem fundamento sólido, nem embasamento bíblico, porque está firmado apenas sobre um texto isolado.

{Da apostila Explicação de Textos de Difícil Interpretação do Pastor Pedro Apolinário *In memorian*}

 

~ por luis saro em 2009/01/28.

Deixe uma resposta

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.